De todos os acontecimentos desse ano, o mais bacana foi o meu relacionamento com o SUS - Sistema Único de Saúde.
Tendo nascido em uma família classe média baixa, sem posses, mas com empregos regulares, sempre tive acesso a plano de saúde.
Não me lembro de ter entrado em um hospital público exceto para visitar alguma amiga que acabara de dar à luz.
Mas lendo alguns blogs e informações em sites específicos e tendo diagnosticada a trombofilia hereditária, com indicação do uso do Clexane (como fiz na segunda FIV), comecei um processo para obter a medicação pelo governo.
Em janeiro, quando voltamos das festas de final de ano eu fui ao postinho de saúde que tem na minha rua e pedi uma consulta com o clínico geral. Uma semana depois eu conversei com a médica do postinho, expliquei sobre o tratamento, levei os laudos e ela me encaminhou para o cardiologista, me preparando que essa era uma especialidade muito demorada para agendar a consulta, e que levaria mais de um ano.
Para minha surpresa, um mês depois me ligaram do postinho informando que haviam marcado minha consulta no HC - Hospital de Clínicas.
Fui ao HC em uma segunda-feira. Cheguei cedinho, acho que às 7h. Tinha uma fila que era só para o cadastro e até que não demorou. Se bem que eu me preparei. Levei barrinha de cereal, bolacha e o tablet para acessar a internet.
Depois de feito o cadastro recebi uma carteirinha do HC e fui encaminhada para o andar da cardiologia. Lá vi muitos velhinhos e velhinhas com várias patologias cardíacas. Estava tudo lotado. Esperei mais de uma hora e quando me chamaram era para fazer um eletro e medir a pressão. Informei que tinha um eletro feito na semana anterior e aceitara,. Depois disso, esperei mais uma meia hora e fui atendida. Expliquei tudo para cardiologista e ela me disse que a patologia de trombofilia não era tratada por eles.
Como eu já sabia disso, fiquei tranquila e aguardei as informações dela. Ela escreveu uma carta recomendando o me caso para a área de hematologia e me encaminhou para o andar da especialidade. Nesse dia mesmo, levei os papéis expliquei a situação para a pessoa da recepção da Hematologia e ele pediu que eu esperasse. Esperei até depois do meio dia e a médica leu o caso e pediu que marcasse para a agenda do mês seguinte. Foi a única situação que eu não gostei. Mas o moço da recepção entendeu o meu caso ou se engraçou com a minha pessoa e marcou a consulta para a sexta-feira seguinte.
Fui no dia marcado, esperei umas duas horas, com tablet, bolacha e chiclete. Fui atendida pelo residente da hematologia que entendeu todo o caso da necessidade da medicação, mesmo eu ainda não estando grávida e que eu precisaria antes da FIV. Ele preencheu a documentação necessária e, no mesmo dia, levei na secretaria de Estado da Saúde. Protocolei o pedido, mas a farmacêutica já me alertou que o pedido seria negado, mas preferi protocolar, caso eu precisasse entrar a na justiça futuramente. Essa mesma moça me orientou a procurar a Secretaria Municipal de Saúde. Fui lá, e o moço que me atendeu disse que o procedimento era mais simples: que o médico do Hospital de Clínicas deveria preencher o pedido em uma guia da prefeitura e, que esse pedido eu deveria entregar no postinho.
Aguardei um mês e fui até a Secretaria Estadual de Saúde que me entregou um documento negando o medicamento. Foi aí que fui no HC mais uma vez e perguntei pelo médico que havia receitado a medicação, expliquei a ele da negativa e sobre a prefeitura poder me ajudar e ele preencheu a guia, que levei no postinho.
A farmacêutica do postinho recebeu a guia, a receita e me disse que eu aguardasse 15 dias.
Pasmem, uns 20 dias depois recebi um contato do postinho informando que minha medicação estava lá. recebi Clexane para 15 dias e depois de 2 semanas recebi mais duas caixas.
Agora já tenho medicação para o primeiro mês de tratamento. Se a FIV não der certo, vou doar a medicação restante. Afinal, a saúde pública ainda tem muitas falhas então posso reter uma medicação cara que não estarei precisando, mas espero sinceramente que dê certo. E aí sim, precisarei do SUS por 10 meses (9 de gestação mais um mês depois).
Santo SUS, santo projeto Mãe Curitibana.... deve ser a única coisa boa criada pelo governo do PSDB!!!! Sou PT de carteirinha e não gosto da gestão que manda em Curitiba e nem no Estado do PR.
De qualquer forma, entendo que o SUS atende perfeitamente quem dele precisa de uma forma eletiva e não emergencial!
Às meninas que tem o diagnóstico de Trombofilia e precisam da heparina de baixo peso molecular, informem-se em suas regiões. O processo todo demorou uns 3 meses entre idas e vindas e muita paciênica, mas se for feito com antecedência, tudo dará certo.
É isso!!! Nós podemos ter remédio de alto custo pelo SUS, sim!!!